Foi quando senti que aquele momento poderia durar para sempre,
que não me importaria mais nada.
Eu estava fria, como sempre.
Você, apesar da chuva, do vento e de mim; estava quente, como sempre.
Sempre imaginei momentos assim em minha infância. Nunca acreditei neles.
Eu, indo em direção ao nada, molhada devido a minha falta de memória.
Você, vindo em direção ao seu nada, molhado, devido a queda do guarda-chuva ao me ver.
Dinâmicas involuntárias, como uma visão.
De repente, percebi que não estava mais com frio.
Ia pedindo licença as gotas, que pareciam estar tão apaixonadas quanto eu,
pois deslizavam tão delicadamente que pareciam estar aproveitando cada segundo em você.
As gotas batendo em seu rosto, em meu rosto, e enfim, em nosso rosto.
Não via mais nada, apenas sentia. O calor, as gotas frias e meu peso diminuindo, até eu ficar completamente suspensa no ar.
Ao abrir os olhos, após alguns segundos para passar a tontura, olhei no fundo de seus olhos azuis.
E lá dentro enxerguei uma pessoa. Que me parecia muito feliz.
E percebi que eu estava sorrindo, mas não havia lembrado de me mandar fazê-lo.
Ao soltar minha mão, senti um leve adormecimento pela falta de calor. Que logo foi recompensada em meu rosto.
Após tentar arrumar meu cabelo molhado, e me dar o abraço que fez com que eu simplesmente esquecesse que estava chovendo por três segundos, me disse as três palavras.
Apenas números ímpares.
Nos despedimos.
O calor foi embora.
Mas não o sorriso.
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Lindo o texto!Pra mim um dos melhores (de tantos bons)!
ResponderExcluirPerfeito!Parabéns sister
Te amo pra sempre