quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A última história.

História com início em "Companheiro de Solidão".
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"...nada de histórias por hoje."

Dois dias após receber o envelope, o homem se sentia na 'obrigação' de ir até a praça, afinal, é bom lembrar do passado principalmente quando você quer esquecer um futuro que está praticamente pré-destinado. Foi até a praça, estava normal, como nos outros dias, se sentou e começou a contar sua história, porém antes que ele começasse, a garota de dois dias anteriores se sentou a sua frente, e depois se sentou uma mulher, e depois um rapaz, e assim sucessivamente. Quando o homem tentava começar a história, era desconcentrado por alguma pessoa que ia se sentar. Apareceram muito mais pessoas ali do que eu esperava, talvez algumas pessoas que haviam de estar ali sem compromisso ao ver algumas pessoas sentadas na frente de um homem ficassem curiosas e se sentavam-se também. O homem realmente não esperava por aquilo, não sabia o que havia dado nas pessoas aquele dia, mas na verdade, não estava nem um pouco a fim de saber, o fato era, o porque de eles chegarem ali ficou insignificante, pois ele sabia do porque de eles estarem ali. Finalmente, o homem começou a contar sua história.

“O homem, realmente um homem, estava da loja de discos, tocando-a como sempre, tentando ser o mais cortês possível, apesar de saber do que o fim de sua loja estava próximo, graças ao que ele chamava de “disquinho”, a cada dia menos pessoas entravam na loja, e a cada dia ele se vê sem alternativas, a não ser abandonar o negócio dele e de seu amigo. Um dia uma moça com pressa entrou na loja, perguntou de um disco que havia na loja, o homem ao escolher qual dar a moça, pego o mais velho e que já estava um pouco riscado, dizendo que, se caso não funcionasse, era para ela voltar para trocá-lo. Ela voltou no dia seguinte. Bem, seis meses depois eles estavam casados. Moravam em seu apartamento, o mesmo que ele dividia no passado com seu amigo.
Ele com ela se sentia completo e apesar de todos os pesares ele achava finalmente que aquilo era a tal felicidade. Um dia, que ele não consegue esquecer, eles estavam andando pela cidade quando ela começou a tossir uma tosse bem estranha, mas estava um pouco frio e ambos concordaram que deveria ser friagem, mas como essa tosse não passou e se acentuou durante o tempo, assim ele a convenceu a ir ao médico. Ela estava com uma doença, porém o remédio era caro e só havia em outra cidade, ela pediu para ir só, para não gastarem mais dinheiro com passagem, e também que não era nada sério, ela iria, se curava e voltava. Eles deram um beijo, e ela foi embora. Ela foi, se curou, porém, não voltou. O homem angustiado e novamente só decidiu fechar a loja de uma vez ao ver sua decadência aos poucos. Mudou-se para outra cidade, um pouco maior, comprou uma pequena e confortável casa e lá ficou, começou a trabalhar em uma biblioteca, apenas meio período, ganhava muito pouco, apenas dava para sobreviver, mas se acostumou e assim, foi levando sua vida. Mas de repente começou a tossir uma tosse que ele reconhecia muito bem, e percebeu que o último beijo de sua mulher havia deixado mais do que tristes memórias. Mas agora, não havia dinheiro para a passagem, muito menos para o remédio. Ele se acostumou com a tosse, aprendeu a controlá-la, de forma que apenas tinha crises a noite, porém a doença a cada dia piorava, logo decidiu esquecê-la e seguir a vida que era a única coisa que lhe restava.”

O homem levantou se despediu das pessoas, e foi embora.


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“...mas eu estava com realmente muito medo de ele não vir no dia seguinte.”

Após ouvir a história, que sentia que seria a última daquele homem, vi o espanto das pessoas que ali estavam, talvez não esperassem essa história, não assim. Segui o homem para ver onde ele morava. Havia tido uma idéia.

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“O homem levantou se despediu das pessoas, e foi embora.”

Chegou em casa, observou suas coisas, seus livros e seus discos, tudo que havia, talvez as quisessem guardadas na memória, tendo-a ou não onde iria. Não conseguiu dormir essa noite. No dia seguinte de manhã, uma garota bateu em sua porta, dizendo que tinha algo muito importante para mostrar. Ela o levou a sua rua. O homem viu uma rua de prédios bem altos, com muitas janelas em cada, e em cada janela um ramo de flores azuis, exatamente iguais as que ele matinalmente dava as pessoas, aquela cena parecia ao seus olhos um quadro, um grande mosaico ligado por lindas linhas azuis. O homem ficou curioso em saber como aquela garota fez aquilo, em apenas uma noite. Me perguntou como, e respondi que eu não havia feito aquilo sozinha, pedi para ele olhar para cima, e de lá ele viu que em algumas janelas algumas pessoas estavam acenando, E atrás de nós havia pessoas nos acompanhando. Aí ele me fez uma pergunta intrigante:

"-Por quê? "

Porque eu realmente não queria que você fosse pensando que as pessoas estivessem perdidas, afinal, a meu ver, elas não estão. E espero que tenha conseguido lhe fazer ver a meu ver.
Sorri para ele. Ele sentiu algo, não familiar, mas inesquecível, talvez aquela tal coisa chamada felicidade.

Eu? Bem, agora faço frequentes visitas a praça. E lá, não preciso esperar ninguém, pois encontro pessoas a minha espera. Depois percebi que haviam mais pessoas como eu, querendo compartilhar suas vidas, a praça se tornou um grande ponto de encontro, que começou com apenas um homem solitário que ainda havia esperanças. E fico muito feliz em saber que ao chegar em casa, as televisões não incomodam mais minha leitura.



Fim.
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2 comentários:

  1. caraca Oo
    palmas pra ti aninha
    um fim q eu nao esperava...
    vc tem uma mente brilhante o/

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