segunda-feira, 15 de março de 2010

Meu diálogo/monólogo com a Lua.

Quando corri de casa, com a tristeza resultando em uma total endiabres mental, vi que tudo naquela noite pareciam monstros, logo que as poucas luzes que haviam estavam deformadas devidas minhas lágrimas.
Não estava me importando para o meu destino, estava apenas tentando simular a vontade tremenda que estava de desaparecer desse mundo, que tanto me decepcionava.
Estava com frio e ofegante, e o ardor de cada respiração que se acentuava me fez parar e sentar ali mesmo onde eu estava. Naquela situação o melhor que se faz é bloquear sua mente e tentar não pensar, como se esses tais substantivos fossem unidades que temos sob nosso controle.
Então analisei onde eu estava, era um campo aberto, estava totalmente deserto, o que o deixava mais sombrio e sinistro, havia poucas luzes distantes, mas conseguia enxergar tudo a minha volta. Olhei para cima e vi a grande casa de luz sem base. Lá estava ela, grande, brilhante e sorrindo, caçoando da minha tristeza, da minha insignificância, da minha inveja:

-Estou feliz por deixar-lhe contente -disse por ironia- zomba de mim se mal algum lhe fiz, a não ser horrendamente servir-lhe de paisagem. Como queria ser tu, inspiradora, independente, sem necessitar de ninguém para brilhar, para ser feliz. Ver casais apaixonados admirando-a, ser tema de teses ou se singelos poemas. Como queria ser tu, e como..

Ainda soluçando e sem avanços para parar, não podia deixar de discorrer sobre os últimos momentos e de querer absurdamente virar pó.

-Você está errada menina
– escutei uma linda voz feminina.

Dei uma pequena risada, não achando a mínima graça. Incrível como a sua mente consegue lhe iludir. Assim como fazia quando eu conseguia sentir o cheiro dele em todos os lugares e escutar sua voz na poluição sonora das ruas.

-Como estou errada? Como posso estar?

-Você como qualquer outro se humano se rende facilmente a insanidade ao se ver dominada pela tristeza, sei que isso ajuda a recuperar-se e a aceitar melhor os fatos, logo, não lhe julgo por isso
.

- Acaba que me atenuar a qualquer outro se humano e ainda me diz que estou errada? Está simplesmente fortificando meus dizeres.

-Não, apenas estou tentando amenizar a sua culpa por estar errada.


-Então diga-me, prove-me, me dê um motivo para não querer ser tu.

-Não zombo de ti, e nunca teria o descaramento de zombar de qualquer outro ser, logo que indiretamente, dependo de todos vocês para ser que sou.


-Depende de nós? Se Ele não tivesse nos cedido a existência você permaneceria aí, linda e brilhante.

-Você não vale absolutamente nada, se não houver alguém para admirá-la. Sem vocês, de nada eu seria. Minha independência é ilusória, o que seria de mim sem a atração de seu planeta? Estaria simplesmente perdida, minúscula, invisível, no meio de um infinito de astros, um grão de areia em uma selva de pedras. E de que eu seria sem a luz? Não fui abençoada com luz própria, me tornando uma eterna dependente de uma fonte pois de nada eu seria, sem meu brilho.


-E o que seria de nós sem seu brilho para iluminar a escuridão noturna..

Deitei na grama para descansar a nuca que estava me ajudando a encará-la com melhor nitidez. O choro tenso havia passado, mas as lágrimas não conseguiam parar de brincar em meu rosto.

-Apesar de seu belo conjunto de argumentos, é impossível comparar um ser tão minúsculo a tua grandiosa existência. Assuma.

-Deus dá o mesmo destino a todos, ele apenas nos concede caminhos diferentes para alcançá-lo, alguns maiores, menores, alguns com mais obstáculos, e outros com menos, mas se quisermos, todos podemos alcançá-lo. Há inspiração melhor para um poeta do que uma bela jovem? Ou uma tese mais intrigante do que a existência humana? Viva e deixe ser inspiração, não há porque invejar algo que você possa superar, e acredite, você pode. Não esqueça que nunca será feliz sozinha e aceite, é uma deliciosa dependência quando se pode aproveitá-la. Quando me ver sorrindo nunca pense que estou a deboche, estou apenas lhe lembrando que você é tão brilhante quanto eu, só não pode deixar que essas lágrimas apague o fecho que existe em teus olhos.


Após essa última fala não ouvi mais nada. Enxuguei os resquícios de fraqueza dos meus olhos, olhei para cima, e lhe retribuí o sorriso a ela, que era a mistura perfeita de inteligência e humildade.
Deitei na grama, e na Lua fixei o olhar. Não sei por quanto tempo fiquei ali olhando, mas eu sentia que estava planando e me questionei se não estava sonhando, mas percebi que a generalizada dormência se devia ao frio, que eu havia ignorado desde então. Senti que meu corpo não suportaria mais o vento gélido com a umidade cedida pela grama, então fui para casa, e dormi.

Acordei e percebi que, para mim, o mundo nunca me pareceu tão fosco.
Talvez seja o contraste com meu brilho.

______________________________________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário