Policial:
Eu estava terminando meu turno, estava com fome e contando os minutos para chegar em casa. Estava na viatura, com o rádio ligado, umas dezoito quadras do meu ponto. Eu parei em um sinal vermelho, se bem que a rua estava vazia nesse período, quando olhei para o lado vi uma padaria, dentro havia um homem com uma arma apontada para a caixa, parecia impaciente e violento. Peguei meu cinto onde estava minha arma, algemas e tudo mais e corri para lá pelo lado da loja, para que assim ele não me visse, mas falhei. Quando percebi ele pegou o saco que estava ao lado do caixa e correu, muito rápido.Ao sair da loja me deu um empurrão que me vez saltar para trás. Levantei e corri atrás dele, mas havia feito apenas uma refeição naquele dia, e a pressão da corrida fez meu estômago doer, como se tivesse sendo apertado, logo, o deixei escapar. Voltei para a loja, pedi desculpas à caixa pela falha e tive que ir a delegacia dar queixa. Se bem que nessa hora a única coisa que eu pensava era se minha mulher iria acreditar nessa história pelo atraso.
Caixa:
Era minha primeira semana de trabalho, eu estava muito contente por ter conseguido esse emprego, era no turno da noite, pois a padaria era aberta vinte e quatro horas, e o dinheiro extra iria me ajudar muito a pagar minha moto que havia acabado de comprar, e que estava consumindo todo meu salário de estagiária. Eu estava tranquila, a noite o movimento era quase parado, apareciam clientes de aproximadamente duas em duas horas, então fiquei lendo revistas e o pessoal da cozinha havia dado uma pausa de dez minutos e estavam fora. Até que um homem entrou e me apontou uma arma, com certeza havia esperado do lado de fora o pessoal sair para entrar. Nunca senti tanto medo em minha vida, só pensava nos meus pais e no que ainda não fiz. Ele me pediu dinheiro, fui pegar o mais rápido possível, mas como eu estava no começo estava com dificuldades para abrir, e com o nervosismo não parava de errar o código que deveria ser digitado. Com a demora o homem começou a ficar furioso e a me ameaçar, de repente ele olha para fora, pega um saco que estava ao meu lado, no qual continha os pães para encomenda, e sai correndo, trombou com um policial, fazendo-o cair, e continuou correndo muito rápido. Deve ter pegado os pães para não sair perdendo na ação. Aquilo me traumatizou, pedi a conta no outro dia, e demorou para eu conseguir sair tranquila de noite, esquecer aqueles olhos zangados me ameaçando e pensei em onde pode chegar a maldade de um ser humano.
Assaltante:
Eu percebi que eu não havia mais opções, minha família nunca esteve em uma situação tão absurda como agora e a dor de saber que é a minha responsabilidade cuidar deles me encheu até o topo da consciência, meus filhos nunca passaram fome, não é hoje que isso vai começar. Sai de casa e fui a uma padaria que ficava aberta todo o tempo, vi que tinha umas três pessoas que estavam prestes a sair, então esperei escondido atrás do muro da casa que virava a esquina. Tinha pego uma arma que meu irmão havia me vendido, e que havia mentido para minha esposa que tinha me livrado , mas de qualquer forma ela não estava carregada, pois não pretendia atirar. Depois que vi as pessoas saindo entrei na loja e pedi o dinheiro, vi o medo e desespero na moça que estava no caixa e apesar de querer atirar em mim mesmo nesse momento, não deixei cair a máscara de revolta e braveza que estava em meu rosto. Ela estava tão nervosa que não estava conseguindo abrir o caixa, e meu medo de aparecer alguém fez com que eu a pressionasse. Olhei para fora e vi que havia uma viatura parada no sinal vermelho, e ninguém no carro. Assim, peguei o saco de pães que havia sobre o caixa e corri o mais rápido que podia. Ao sair vi que o policial estava ao lado, dei um empurrão nele e continuei correndo, e ele atrás de mim. Quando percebi que ele havia parado, corri até sair de vista. Parei um pouco para retomar o fôlego e fui para casa. Ao chegar coloquei o saco de pães em cima da mesa e deitei na cama, mas não consegui dormir. Ao levantar, meu filhos já estavam na mesa, comendo os pães, felizes e satisfeitos. Me olharam e disseram: "Pai, você tinha razão quando disse que o sabor das coisas fica melhor quando você está com muita fome. Eu sabia que você não tinha comprado comida de propósito...”
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é...fiquei com dó do assaltante =/
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