"...apenas parecia que estava contando um segredo que havia guardado a anos e que finalmente podia contar a alguém, que no caso, era o ninguém."
Fiquei tão surpresa ao vê-lo que fiquei fitando-o de longe. Até que ele simplesmente parou, ficou olhando a sua volta, me parecia que estava se lembrando de onde estava. Ele disse mais algumas palavras, se levantou e foi embora. Vi a hora e fiz o mesmo. Ao chegar em casa tive uma ótima notícia, havia ninguém. O que era muito raro acontecer, o silêncio estava delicioso. Eu peguei o violão, sentei na varanda e comecei a tocar para mim. Nada melhor para aproveitar o meu momento de solidão. Meus pais e minha irmã chegaram, perguntaram o porque de eu ter demorado a chegar em casa, dei uma desculpa qualquer, feliz pelo atraso ter me dado aquele momento de paz.
No outro dia fui a escola, havia prova mas quase todos haviam esquecido, por sorte eu dei uma estudada antes de dormir, presenciei o cúmulo da ignorância ao ser julgada por ter estudado. A cada dia meu pedido de transferência se torna mais presente nos diálogos familiares, mas a resposta é sempre a mesma, com a desculpa que era a mesma escola que eles haviam estudado, como se fosse sinônimo de que era uma boa escola. Terminei a prova mais cedo e fui embora, decidi passar pela praça, não tinha pressa de voltar para casa. Ao passar por lá vi novamente aquele homem na escada da igreja. Novamente. Ainda falando, com a mesma expressão, mas agora um pouco mais tensa do que a do dia anterior, aquela cena fez passar muitas coisas em minha cabeça, o que mais se sobressaiu de todas elas foi a curiosidade de saber o que ele dizia. Nesse momento ignorei qualquer cultura que colocam na nossa cabeça desde pequenos sobre estranhos, ignorei o horário, o que as outras pessoas iriam pensar e tudo mais. Me levantei, fui até aquele homem e me sentei no chão a sua frente. Ele me olhou, deu um meio sorriso, e me pareceu ter voltado e dado uma pequena introdução para que eu soubesse de tudo desde o início. Ele falava como se não estivesse apenas eu ali, ele dificilmente olhava nos meus olhos, fitava mais constantemente o chão. As supostas pessoas. E eu simplesmente escutava, o ninguém não estava mais ali. Quando ele terminou de contar a história me disse adeus e foi embora. Senti uma lágrima escorrendo e foi apenas nessa hora que percebi que já havia escurecido. Me levantei, fui para casa.
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Chega dessas frases bobas aqui,
quando eu terminar, vocês vão
perceber.
*---* sou sua fã anuxa...amei seus posts...<3
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