domingo, 25 de abril de 2010

Nice Day -1?

Eu acordei cedinho, sem motivo algum. Parecia que meu corpo não aguentava mais ficar imóvel, e para tirar essa sensação comecei a me remexer na cama, até perceber o óbvio que meu eu estava pedindo. Tomei banho, dei uma alongada, coloquei um vestido lindo, vermelho com listras amarelas. Sai me sentindo tão leve quanto as bolhas de sabão que meu vizinho soltava da janela de seu quarto nas tardes onde a energia elétrica acabava.

Engraçado como eu adorava essas tardes, onde a maioria detesta. Quando acaba a energia as pessoas se desligam por um tempo de suas preocupações, param para conversar, saem na rua e conseguem realmente ver a noite. Meu irmão normalmente para de encarar o monitor e vai tocar violão. Minha mãe normalmente para de limpar a casa que já está limpa, e vai bordar. Eu e meu pai normalmente vamos para fora ver os vaga-lumes. Acho esses dias mágicos, no qual somos obrigados a sair da rotina. É neles que percebo quantos detalhes vitais deixamos para traz, no qual aparecem apenas quando deixamos de lado tudo o que nos dizem ser importantes.

Sentia-me mais que leve, a leveza estava na alma. Fui andar, minha casa fica no limite da civilização, onde começa os campos. É bom andar pelas ruas asfaltadas e ver as árvores florescerem. Estava andando por um caminho que era a base de um monte contínuo, onde havia uma fileira de pequenas árvores floridas, como uma cortina viva. Tudo estava com uma cor tão linda, o sol laranja da manhã conseguia tornar qualquer coisa bela. Adoro este sol, que admiramos sem sentimos o ardor de seu calor. Uma leve brisa me atingiu e de longe avistei muitas folhas voando, então fiquei esperando o forte vento que estava a me atingir, olhei da direção em que o vento estava para não entrar ciscos em meus olhos. Esse vento tinha um cheiro ótimo, de folhas secas, flores, terra úmida devido ao orvalho e, é claro, liberdade. Esta rajada foi média e constante. Sabe quando paramos e dizemos "esta cena teria dado uma bela fotografia", bem, foi isso que pensei. Eu olhando para o meu nada, com meus cabelos ruivos e meu lindo vestido vermelho se modelando no ar com o vento, acompanhado pelas folhas em movimento, as pequenas árvores, tudo coberto por uma mágica luz alaranjada. Se as fotografias conseguissem captar os cheiros seria o banquete completo. Após este pensamento continuei a caminhar. Quando fui arrumar meu cabelo achei uma florzinha azul perdida entre os fios, "o vento é cavalheiro", pensei, e na mesma linha me questionei, se os garotos soubessem como as garotas se sentem ao receber uma flor sem nenhum motivo aparente, talvez as floriculturas ainda fossem um bom investimento.


Bem, eu particularmente amo receber uma flor, pena que virou um ato tão raro nos dias de hoje, pois o cavalheirismo se tornou algo considerado dispensável, logo que os garotos conseguem o que querem sem precisar utilizá-lo. Mas como eu queria voltar e viver naquele tempo onde os flertes eram necessidade, e duravam, apesar dele gostar dela, e dela saber e também gostar dele. Era como a prova de que aquilo de certa forma é real e virava uma espécie de jogo, onde quem demonstrasse mais carinho e respeito era melhor visto.

Após ajeitar-me continuei minha caminhada. Ao sair da cortina viva, fui em direção a uma rua sem saída onde havia alguns bancos, um gramado, e a frente, um pequeno lago. Meu pai me trazia para pescar aqui quando era pequena, então apesar de pouco movimento, aquele lugar me voltava muitas lembranças boas, logo, estar ali me fazia muito bem.
Ao avistar o banco me sentei de costas para o lago e fui virando para frente, até que meus pés bateram em algo que estava no chão. Um garoto estava deitado na grama. Instintivamente perguntei se ele estava bem, até reparar que ele estava ali talvez pelo mesmo motivo que eu, aproveitar aquele inicio de dia que ambos sabíamos, não era um dia comum..



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Continua.. (ou não.)

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