Eu estava andando pelas ruas de Anápolis,
estavam desertas.
Apenas uma estrada, e o resto deserto.
Espere, estou avistando algo,
Seria um prédio? No meio do deserto?
Bem, em Anápolis não se espera normalidade.
De longe ele parece tão alto, quantos andares devem ter? Cinqüenta?
Mas a cada passo que eu dava, ele diminuía.
Dei um passo para trás para ver se ele aumentava, e assim o fez.
Estava com medo de ele desaparecer quando eu o tocasse, então resolvi dar passos grandes, os maiores que podia. Dei um último passo, e com ele foi-se o primeiro andar, e o que antes era um prédio, agora estava mais para uma casa, uma casa cinza.
Ao entrar senti uma leve tontura, talvez por tudo em seu interior ser branco. Após fechar a grande porta cinza, vi um corredor, e nele, algumas portas.
Sei que não deveria me atrever, a entrar em locais onde eu não tinha a mínima idéia no que haveria dentro. Mas a curiosidade estava me corroendo, eu tinha que abri-las.
Fui em direção a primeira porta, parei em sua frente e coloquei o ouvido para ver se o que haveria dentro deixasse escapar algum ruído, sem sucesso. Respirei fundo e entrei.
Dentro da primeira sala haviam fitas, fitas de filmes. Aquelas que rodavam em cinemas antigos. Havia milhares delas, por toda a parte. As paredes, os móveis, eram todos compostos por fitas. Estava tudo em silêncio, a não ser o barulho de meus passos amassando as fitas que compunham o chão. Resolvi olha-las de perto, e me surpreendi. Nelas havia imagens, de minha vida. Fiquei olhando as fitas e me recordando dos momentos pelo qual havia passado, vendo detalhes que não havia percebido. Para me acomodar melhor, me sentei em uma poltrona, que havia na sala, também composta por fitas, aproveitei para olhá-las também, momentos bons e ruins, não havia percebido que havia vivido tanto, em tão pouco tempo. Avistei uma fita, no qual havia visto uma imagem de minha infância, quando fui pegá-la ouvi um riso infantil, rápido e alto, que me fez pular. Tentei alcançar outra e nessa ouvi barulhos de carros, também rápido e alto, no mesmo ritmo em que minha mão aproximava e se distanciava das fitas. Ainda estava sentada na poltrona e comecei a sentir cócegas, que me fizeram sair dela rapidamente. As fitas estavam aparentemente no mesmo lugar, porém, não estavam paradas. Elas estavam correndo tão rápido que eu conseguia ver os movimentos, como milhares de pequenas tevês. Cada fita girava em si, e pouco a pouco, atingiu toda a poltrona, a seguir os outros móveis, e quando começou a atingir o chão as fitas que estavam em contato comigo começaram a soltar um barulho ensurdecedor, que me fez colocar as mãos nos ouvidos automaticamente. Comecei a ficar em pânico, as fitas começaram a girar no chão, fazendo me cair, tive que tirar as mãos dos ouvidos e engatinhar para a saída, tentando ao máximo ignorar o barulho que as fitas faziam ao encostar-se às minhas mãos e nos meus joelhos. Quando cheguei até a porta me apoiei na maçaneta e fiquei de pé, me jogando para fora daquela sala. Ao fechar a porta tudo ficou em silêncio, mas os ecos dos sons de minhas lembranças continuaram em minha mente, fazendo meu ouvido zumbir. Eu estava ofegante e tentei fechar os olhos e respirar fundo para ver se aquela terrível sensação passava, até que enfim estava tudo (realmente) em silêncio.
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gostei do post....mas realmente fikei curiosa sobre as outras salas...
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